LITURGIA DOMINICAL
IV Domingo da Quaresma
Domingo, 14 de Março de 2.010
Leituras
Js 5,9a. 10-12 = O povo de Deus celebra a Páscoa na terra prometida
Sl 33 = Provai e vede quão suave é o Senhor
2Cor 5,17-21 = Por Cristo, Deus nos reconciliou consigo mesmo
Lc 15,1-3.11-32 = Este teu irmão estava morto e tornou a viver
Evangelho: Lucas 15, 1-3.11-32
O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”.
3Então Jesus contou-lhes esta parábola:
11“Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles.
13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade.
15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.
17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.
20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos.
21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.
22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.
25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo.
27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’.
28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’.
31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Comentários:
Retornar à casa
Dom Joviano de Lima Junior
A proclamação do perdão, neste quarto domingo da Quaresma, é um momento forte da nossa preparação para a Páscoa. Deus, como o pai da parábola narrada por Jesus, está sempre pronto a nos acolher.
O personagem central da parábola é o pai misericordioso. É ele que dá a última palavra. É a sua sabedoria que deve prevalecer. É a sua paternidade que vence as reservas do primeiro filho, aquele que ficou na casa paterna, diante da festa programada para o segundo filho que havia esbanjado a herança recebida.
O filho pecador pode experimentar a bondade de um pai que não quer ver seus filhos afastados, distantes.
O ponto de referimento na parábola é a casa paterna. Quando um filho está em casa, se sente completamente livre. Pode agir com extrema espontaneidade. E ser ele mesmo. A liberdade plena consiste nisto: reconhecermos que Deus é pai, nosso pai.
Ao afastar-se do convívio familiar, o filho mais novo, depois de ter gastado toda a herança, percebe que errou, ao deixar a casa paterna. Percebe ter sido arrogante contra o seu pai. A arrogância está na raiz de todo o pecado. Ou seja, a pretensão de ser dono de si mesmo, desprezando o dom de amor que precede e funda toda a existência humana.
A experiência vivida longe de casa fez com que o filho mais novo amargasse a escravidão. E, consciente do que havia feito, tomou a decisão de levantar-se e voltar à casa paterna. Pode, assim, livremente, optar pela sua condição de filho e sonhar com o retorno ao convívio familiar.
O importante não é indagar sobre a sinceridade idade do filho ingrato, mas concentrar nossa atenção na atitude do pai. Para o pai, o que importa é que o filho retornou, não as motivações que o levaram a voltar à casa. Porque o pai não quer perder o filho. E por isso, o acolheu e o restituiu à dignidade de filho.
Por sua vez, o filho mais velho é a imagem do homem religioso, fiel, temente a Deus, que reclama do pai: “Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma sua, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos.” Mas, essa fidelidade não é vivida como liberdade e sim como escravidão. Ele não considera a casa do pai como um lugar de vida, liberdade e perdão. A sua obediência é de um servo, não a de um filho. Não é por acaso que ele ao dirigir-se ao pai, não o chama de pai. De fato, ele disse; “Há tantos anos que te sirvo...” No entanto, o pai lhe chama de filho: “Filho, tu estás sempre comigo...”
A parábola não nos diz se o filho mais velho participou da festa da acolhida ao seu irmão. Está aí a grande interpelação desta página do Evangelho, para vivermos o perdão e a festa.
Dom Joviano de Lima Júnior,sss
Arcebispo de Ribeirão Preto
