José é o homem justo. A sua justiça consiste em não expor Maria à lei do repúdio. No Evangelho de Mateus, o conceito de justiça corresponde ao cumprimento fiel e alegre da vontade de Deus. José percebe que o que está acontecendo é obra de Deus. Prefere não ter Maria consigo, pois ela pertence a Deus. Mas o anjo lhe assegura que deve receber Maria como esposa, “porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.” Assim ele dará a Jesus um nome, uma família. A sua justiça assume, assim, uma perspectiva bela e ampla. Pois se refere à relação de alguém que crê, com o seu Deus, com Maria e Jesus.
José é um homem obediente. Sabe escutar. Disposto a deixar Maria, agora ele a acolhe em sua casa, para realizar a vontade de Deus. Há um paralelo entre Abraão e José. Assim como o Patriarca obedeceu ao anjo que lhe havia proposto o sacrifício de Isaac, do mesmo modo José ouve o que o anjo lhe pede: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.”
Maria é para José um presente de Deus. Ele a recebe, agora, como uma pessoa extraordinária. O seu amor pela futura mãe de Jesus, assume uma densidade especial, manifestada na sua delicadeza, no respeito, no silêncio, no desinteresse. À luz desta constatação, José é um exemplo para todo aquele que toma conhecimento do Evangelho: procurar realizar a vontade de Deus e saber acolher os dons de Deus. José acolheu Maria como um presente de Deus. E, ao mesmo tempo, ele nos ensina a nos alegrar com os dons que Deus nos proporciona, sobretudo com o grande Presente que Ele nos dá: seu Filho, Jesus – nosso Salvador.
Dom Joviano de Lima Júnior,sss
Arcebispo de Ribeirão Preto
