O Tribunal Eclesiástico Interdiocesano foi instalado na sexta-feira, 25 de março, festa da Anunciação do Senhor, às 10 horas, na Rua Tibiriçá, 899, Centro, Ribeirão Preto (SP).
A partir desta semana todos os julgamentos para decretar a nulidade de casamentos de casais arrependidos podem ser feitos em Ribeirão Preto. A região ganhou um Tribunal Eclesiástico, que vai arbitrar sobre interesses de fiéis das dioceses de Franca, Jaboticabal, São João da Boa Vista e do próprio município.
Depois de a igreja declarar a nulidade, o casal pode novamente se casar na igreja católica com outros parceiros.
Somente em Ribeirão, a Igreja Católica decretou a nulidade de 150 casamentos nos últimos quatro anos. Os pedidos foram feitos na Câmara Eclesiástica de Ribeirão e julgados por um colegiado de sacerdotes na Capital. No mesmo período, 321 pessoas consultaram a igreja sobre a possibilidade de tornar o casamento nulo.
De acordo com a igreja, a imaturidade do casal ou de um deles pode causar a nulidade do matrimônio. O tribunal pode tornar inválida a união quando o marido insiste em manter a vida de solteiro e não assume responsabilidades ou a mulher não consegue cumprir deveres de esposa.
"A igreja considera o casamento nulo quando não apresenta os requisitos fundamentais da sacramentalidade. Por exemplo, o matrimônio pode ser nulo quando um dos dois foi obrigado a se casar", diz Antônio Brochini, bispo de Jaboticabal.
O processo para pedir a nulidade pode durar de seis meses a um ano e custa 11 salários mínimos, ou R$ 5.995. O casal reponde um questionário, anexa documentos e apresenta testemunhas que fazem parte do convívio familiar.
"É um processo como na justiça comum. Ouvimos as partes, as testemunhas dos dois e analisamos os documentos. O nosso tribunal é regido pelo mesmo processo da lei civil. Analisamos e damos sentença do caso."
Pedido de padre
Além de processos de nulidade matrimonial, o Tribunal Eclesiástico na Arquidiocese de Ribeirão Preto também vai julgar o pedido do padre que pretende deixar o ministério, voltar à vida civil e se casar. No total, 222 paróquias e 76 cidades da região de Ribeirão Preto podem contar com o serviço.
O tribunal conta com uma equipe de sete sacerdotes, entre eles, o bispo de Jaboticabal, Dom Antônio Fernando Brochini, que atuará como moderador.
"É a igreja cada vez mais próxima de toda a comunidade e que atende o fiel da melhor maneira possível", afirma o bispo.
Caridade
Caridade
Para o arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Joviano de Lima Júnior, o tribunal é uma conquista da comunidade católica. "O Tribunal tem o objetivo de fazer reinar a justiça e, como afirma São Paulo, ‘a caridade está para além da lei e do conhecimento, a salvação está no amor’. Nossa intenção é que todos possam encontrar aqui a presença de Cristo, o mestre da justiça e da caridade", conclui.
Fonte: Jornal a Cidade
Fonte: Jornal a Cidade
